Manifesto sobre o Código Sepsis promovido por 14 Sociedades científicas espanholas

Thu, 07/11/2013 - 00:29
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A sepsis é a resposta do organismo face a uma infeção. Trata-se de uma resposta inflamatória generalizada que pode causar disfunções em diversos órgãos ou sistemas. A intensidade da resposta inflamatória e o número de órgãos afetados estão diretamente relacionados com a mortalidade, sendo mais elevada quando surge sob a forma de choque séptico ou falência multiorgânica. A sua frequência é elevada e afeta a 100-150 em cada 100.000 habitantes/ano o que supõe, no nosso país, mais de 50.000 pacientes/ano dos quais até uma terceira parte podem falecer por esse motivo.

Nos últimos anos têm sido publicados guias de tratamento e recomendações para o manejo de pacientes com sépsis grave cuja máxima expressão é o projeto Survivig Sepsis Campaing (SSC) promovido por numerosas sociedades científicas de âmbito mundial. A aplicação destas recomendações tem vindo a ser associadas a uma redução na mortalidade e na morbilidade dos pacientes com sepsis grave nos hospitais onde foram aplicadas. Os elementos básicos desta intervenção são a deteção precoce dos pacientes de risco e a rápida aplicação de um conjunto de medidas dirigidas a estabelecer um diagnóstico etiológico, monitorizar os diferentes órgãos passíveis de fracasso, iniciar um tratamento empírico com antibióticos e substituir os órgãos ou sistemas que apresentem fracasso funcional.

A aplicação desta estratégia não tem sido desenvolvida uniformemente em todos os níveis sanitários nem em todos os hospitais. A mortalidade relacionada com a sepsis grave continua a ser elevada e as causas de morte por processos infecciosos na nossa sociedade são superiores às provocadas por outras doenças cuja atenção urgente foi organizada através de códigos assistenciais. Por esse motivo, as Sociedades Científicas assinantes deste manifesto solicitam às autoridades sanitárias promover a criação de um Código Sepsis a nível estatal e nas diferentes C.A. O objetivo do “Código Sepsis” é a deteção precoce dos pacientes com sepsis grave (nos diferentes níveis assistenciais), a aplicação estruturada do conjunto de medidas recomendadas para diagnosticar, monitorizar e tratar estes doentes e a definição de uns indicadores assistenciais que permitam avaliar o cumprimento das recomendações e dos resultados da aplicação do código a nível local e nacional. A otimização no manejo da sepsis estará associada a uma redução dos custos assistenciais quantificados no momento atual em redor de 28.000 euros para cada caso.

As sociedades assinantes deste documento consideram que é competência das autoridades sanitárias a implementação e difusão do “Código Sepsis” e manifestam o seu desejo de colaborar na elaboração dos conteúdos do código, na formação do pessoal sanitário e no controlo da sua aplicação nos diferentes cenários sanitários. A existência de um “Código Sepsis” no nosso país irá significar uma melhoria assistencial nos nossos pacientes, sendo assim o principal objetivo de todos os profissionais comprometidos no seu atendimento.

 

Sociedades Participantes:

Sociedad Española de Medicina Intensiva e Cuidados Coronarios  (SEMICYUC)

Sociedad Española de Enfermedades Infecciosa e Microbiología Clínica (SEIMC)

Sociedad Española de Medicina Familiar y Comunitaria (SEMFYC)

Sociedad Española de Medicina de Urgencias e Emergencias (SEMES)

Sociedad Española de Anestesiología, Reanimación y Terapéutica del Dolor (SEDAR)

Sociedad Española de Quimioterapia (SEQ)

Asociación Española de Cirugía (AEC)

Sociedad Española de Medicina Interna (SEMI)

Sociedad Española de Neumología y Cirugía Torácica (SEPAR)

Sociedad Española de Farmacia Hospitalaria (SEFH)

Sociedad Española de Hematología (SEHH)

Sociedad Española de Directivos de Salud (SEDISA)

Asociación Española de Pediatría (AEP)

Asociación Española de Micología (AEM)

 

 

 

Maiorca, 22 de novembro 2012

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