O envolvimento é o fator chave para o sucesso do 'Código Sépsis'

Mon, 20/01/2014 - 18:13
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A V Reunião Nacional do Grupo de Trabalho de Infeções Perioperatórias (Gtipo) da Sociedade Espanhola de Anestesiologia, Reanimação e Terapêutica da Dor (Sedar), celebrada em Valencia este fim de semana, esteve centrada numa atualização no manejo do paciente crítico com sépsis e disfunção multiorgânica. Neste encontro, coordenado por Gerardo Aguilar e Juan Carlos Valía, anestesiologistas do hospital Clínico e do hospital Geral de Valencia, respetivamente, os especialistas debateram sobre o impacto positivo do Código Sépsis espanhol (ver DM de 24 XII 2010), especialmente no que respeita ao grau de envolvimento dos profissionais. O objetivo do Código Sépsis é a deteção precoce dos pacientes com sépsis grave (nos diferentes níveis assistenciais), a aplicação estruturada de um conjunto de medidas recomendadas para diagnosticar, monitorizar e tratar destes doentes, e a definição de uns indicadores assistenciais que permitam avaliar o cumprimento das recomendações e dos resultados da aplicação do código a nível local e nacional. Marcio Borges, coordenador da Unidade Multidisciplinar da Sépsis, no Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Son Llàtzer (Palma) e coordenador nacional do Código Sépsis, explicou ao DIÁRIO MÉDICO que "há um ano foi assinada a Declaração de Palma de Maiorca, na qual treze sociedades manifestávamos a necessidade de mudanças e que a melhor forma seria unir esforços e gerar uma série de ações coordenadas". Neste momento, "a incorporação de vinte e uma sociedades científicas espanholas e de outras nove internacionais, além do suporte e da colaboração do Ministério da Saúde e da sua Área de Qualidade". Graças a esse impulso e à divisão do projeto em diferentes ações, foi possível conseguir iniciativas muito importantes. A título de exemplo, mencionou a elaboração de um documento precoce da sépsis que, em algumas semanas, "após a sua revisão final, vai ser enviado para publicar nas principais revistas das sociedades científicas envolvidas nesta questão" FORMAÇÃO Além disso, foi implementada e está prestes a abrir uma plataforma web onde serão geradas atividades como fóruns, simpósios on-line, informação e conexão das sociedades, revisões por peritos, estudos, etc. Do mesmo modo, apostou-se por um curso de formação em sépsis, "para ser exposto inicialmente aos representantes e coordenadores autonómicos e, posteriormente, poder ser divulgado nos hospitais", sem esquecer a preparação de inquéritos e estudos "para avaliar o impacto da implantação do código nos hospitais baseados em alguns indicadores de qualidade específicos". No que respeita aos resultados obtidos até à data, Borges salientou "o envolvimento dos profissionais sanitários e das suas respetivas sociedades científicas. Estamos no processo de consolidação do projeto, e começaremos a medir a situação atual existente, porque há muito pouca informação se consideramos o âmbito hospitalar completo". O fator chave é a "consciencialização de que se trata de um problema de saúde pública que está relacionado com a segurança do paciente e de que são necessárias mudanças organizativas para melhorar o seu manejo, a qual deve ser integral, multidisciplinar e de união para todos os agentes sanitários". MARGENS DE MELHORIA "Sem dúvida, a melhoria está em poder implementar um processo educacional prático e gerar os grupos de trabalho intra-hospitalares interdisciplinares com a máxima participação possível de médicos e enfermeiros". Nesse sentido, "dividimos os modelos em quatro possibilidades, conforme as características dos hospitais e das estruturas já existentes: em comissões, grupos, equipas de intervenção rápida ou unidades funcionais multidisciplinares da Sépsis". Conforme Borges, "trata-se de um processo continuado no tempo, que interage em todas as áreas hospitalares, com diferentes tipos de pacientes e envolvendo todos os profissionais sanitários. Ai reside a enorme dificuldade da sua manutenção como uma atividade assistencial diária, mas também docente e de investigação". Do mesmo modo, reconhece que "todas as mudanças no âmbito da saúde são muito complexas, ainda mais quando envolve tantos profissionais de diferentes áreas e especialidades, mas gerar um processo educacional realista, prático, ter informação dos resultados dessas mudanças, é o modo de estimular os profissionais sanitários para a sua consolidação e aplicação". Enfermagem, básica no diagnóstico e tratamento A enfermagem desempenha um papel muito importante nas unidades multidisciplinares da Sépsis, conforme a exposição de Clara Hurtado, da Unidade Multidisciplinar da Sépsis do Hospital Universitário Doutor Peset, de Valencia. "O exercício do trabalho assistencial do profissional da enfermagem é fundamental para reduzir o tempo de diagnóstico e tratamento da sépsis grave e do choque séptico, bem como para proporcionar cuidados na segurança do paciente e na prática baseada na evidência". Nas unidades "proporciona uma visão integral dos processos assistenciais aos doentes e aglutina o resto dos profissionais, favorecendo a comunicação entre eles e com o resto do hospital". Assim sendo, a enfermagem desempenha funções educacionais e formativas no hospital dirigidas a profissionais e doentes para melhorar o processo de atenção do doente séptico e a redução de infeções associadas à assistência sanitária. Hurtado refere que "a curto e médio prazo, a Enfermagem está capacitada para assumir a liderança no desenho e implementação de novas unidades interdisciplinares da sépsis, formar profissionais e implantar estratégias que permitam incorporar a evidência à prática".

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