O projeto

O projeto ‘CÓDIGO SEPSIS’ nasceu com a vocação de se materializar numa ferramenta de referência no sistema sanitário espanhol, para a homogenização no manejo, para a deteção precoce e início de medidas terapêuticas, assim em como para a monitorização da resposta evolutiva nessas áreas em que é efetuado o atendimento desta grave patología clínica. Tudo isso visando melhorar o seu manejo e diminuir a mortalidade relacionada com este processo clínico tempo-dependente.

A sepsis é a resposta do organismo face a qualquer tipo de infecção. Trata-se de uma resposta inflamatória generalizada que pode oscilar desde minimamente sintomática até causar a disfunção de um ou vários órgãos. A intensidade da resposta inflamatória e o número de órgãos afetados estão diretamente relacionados com a mortalidade, sendo mais elevada quando surge sob a forma de choque séptico ou falência multiorgânica. A sua frequência é muito elevada, e em redor de 27 milhões de casos por ano no mundo ou perto de 140.000 casos necessitam hospitalização em Espanha. A sua incidência atinge o valor de 377 casos em 100.000 habitantes/ano, superior a outros processos tão frequentes como os 223 de ICTUS, 208 de cardiopatia isquémica ou 331 dos cancros mais comuns (pulmão, mama e próstata). Dado que a SEPSIS é o processo clínico mais frequente e menos reconhecido num hospital.

Nas entidades tempo-dependentes consideramos que a hora é ouro no manejo do Trauma Grave, o tempo é essencial para salvar o tecido miocárdico nas Síndromas Coronárias Agudas, pois cada minuto conta no ICTUS. E na SEPSIS estes conceitos estão todos juntos porque cada minuto que passa sem identificar e iniciar o tratamento da sépsis aumenta a disfunção orgânica e a mortalidade associada na entidade clínica com maior incidência de sucesso hospitalar.

Nos últimos anos têm sido publicados guias de tratamento e recomendações para o manejo de pacientes com sépsis grave cuja máxima expressão é o projeto Survivig Sepsis Campaing (SSC) promovido por numerosas sociedades científicas de âmbito mundial. A aplicação desta estratégia não tem sido desenvolvida de forma uniforme em todos os níveis nem em todos os hospitais. A mortalidade relacionada com a sépsis grave continua a ser elevada e as causas de morte decorrente de processos infecciosos na nossa sociedade são superiores às provocadas por outras doenças cujo atendimento urgente tem sido organizado através de códigos assistenciais. Calcula-se que aproximadamente 3-4 personas falecem cada segundo por sépsis grave no mundo. A mortalidade hospitalar oscila de 17% até 55%, porém, calcula-se que, geralmente, um terço dos pacientes falece decorrente de sépsis grave ou choque séptico.

or esse motivo, as Sociedades Científicas que participam neste ambicioso projeto promovem a criação de um CÓDIGO SEPSIS a nível estatal, nas diferentes C.A. e nos Hospitais. O objetivo do “CÓDIGO SEPSIS” é a deteção precoce dos pacientes com sepsis grave (nos diferentes níveis assistenciais), a aplicação estruturada do conjunto de medidas recomendadas para diagnosticar, monitorizar e tratar estes doentes e a definição de indicadores assistenciais que permitam avaliar o cumprimento das recomendações e os resultados da aplicação do código a nível local, autonómico e nacional. A otimização no manejo da sépsis será associada a uma redução dos custos assistenciais quantificados no momento atual de 17.000 até 55.000 euros para cada caso.

A existência de um “CÓDIGO SEPSIS” no nosso país irá significar uma melhoria na assistência dos nossos pacientes e na diminuição da sua mortalidade, bem como no uso dos nossos recursos limitados, sendo assim o principal objetivo de todos os profissionais comprometidos no seu atendimento visto tratar-se de um problema de saúde pública.

Assim sendo, convidamos todos os profissionais sanitários, sociedades científicas, instituições públicas e privadas e todos os profissionais relacionados com a saúde para participarem neste projeto, pois só com uma visão multidisciplinar poderemos alcançar os objetivos e implementar as mudanças necessárias para melhorar o nosso manejo destes pacientes.

Projeto CódigoSepsis sob os auspícios da:
FACME